TÉCNICAS DA REMADA

A canoa Polinésia / Havaiana tradicional é sobretudo fundamentada no trabalho coletivo, inclusive na hora de remar. Esta é uma atividade fundamental e se divide em 3 etapas, Ataque, Puxada e Recuperação. Realizados em movimentos ritmados que lembram uma arte marcial ou mesmo uma forma de meditação, não é para menos, as vidas dos homens na embarcação dependiam desses movimentos.​

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​​A primeira, o Ataque é decisiva para um bom rendimento.

 

Deve ser sempre à frente, projetando  o tronco a vante ou rotacionando-o, de forma que os braços que seguram a empunhadura e o  cabo, formem a figura de um triâgulo  juntamente com o remo, onde estes fazem as vezes das vértices. O remo deverá estar paralelo a lateral da canoa, e a mão que segura a empunhadura, sempre posicionada na linha d'água. A cabeça deverá ficar  levantada, e os olhos focados  no remo do remador de referencia. É essencial que todos os remos entrem juntos na água para assegurar o somatório de forças dos remadores, maximizando a propulsão da canoa.

Depois vem a Puxada, que também deve ser sincronizada e forte.

 

A cabeça sempre levantada facilita a respiração. A entrada do remo na água deve ser suave, com o mínimo de respingos. O remo deve estar na vertical e paralelo à canoa, com a mão de cima mais ou menos na altura da testa e a de baixo a , no mínimo,  um palmo do início da pá.

A etapa da recuperação se inicia quando a pá do remo chega à linha da cintura.

 

Neste momento, o remo deverá ser retirado da água, rotacionando lateralmente  o punho  que segura a manopla, de forma que por todo o deslocamento para o novo ataque, a frente da pá do remo esteja paralela à borda da canoa, possibilitando  menor atrito com o vento. Esta técnica, chamada de "Palamenta", pode parecer ínfima, porém em dias com muito vento ou em remadas com centenas de repetições, este pequeno movimento é bastante útil no menor desgaste do remador e era vital nas enormes travessias Polinésias.

Além disso, outros aspectos influem no desempenho da equipe.

 

A cadência é outro ponto chave : ela pode variar conforme o peso e o tamanho da tripulação ou o tipo e o estado das águas, mas no geral é longa, suave e forte. Em águas calmas e pequenas distâncias, pode ser rápida e curta. Para águas turbulentas e tripulação de maior peso, o ritmo tem que ser cadenciado, com o remo ficando na água por tempo suficiente para aproveitar a força dos remadores.

As pernas também são utilizadas durante o movimento, aliás muito utilizadas. A perna do mesmo lado da remada deve ficar um pouco à frente, mas mantendo a planta do pé totalmente em contato com o assoalho da canoa, para melhor aderência e estabilidade, além de servir como força de propulsão em cada remada. Os quadrícepses deverão permanecer, de preferência, encostados nas laterais interna da canoa. Em longas remadas os músculos posteriores da coxa e glúteos são os primeiros a doer. Para evitar ou diminuir o problema, exercícios como ciclismo e corrida ajudam no fortalecimento.

As trocas de lado das remadas têm de ser rápidas e precisas. O canto da troca (“Hip Ho”) deve ser alto, seco e ritmado, para trocas a cada 10 a 15 remadas. A ultima remada após o canto e as três primeiras a seguir devem ser mais firmes, para não se perder o rendimento. Nas curvas, como o contorno de boias, a sincronia deve ser perfeita para o sucesso das manobras.

Boa alimentação e hidratação são fatores decisivos como em qualquer outro esporte.

Fonte Adaptada: http://www.livresportes.com.br/reportagem/design-antigo-projeto-moderno